Bloco de Esquerda quer ser “parte da solução” para sair da crise

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O Bloco de Esquerda propôs-se, na sua XII Convenção, a ser “parte da solução” na resposta aos problemas do país e apresentou condições para o próximo debate orçamental, ao mesmo tempo que se afirmou “barreira” contra a extrema-direita.

Na XII Convenção, as principais figuras da direção do BE, este domingo reeleita, apontaram ao PS, assumindo divergências de fundo face às opções do Governo socialista, com o que justificaram o voto contra o orçamento para 2021.

O tom da Convenção foi lançado logo no discurso de abertura, com Catarina Martins a assumir que quer abrir outra porta para as “medidas urgentes” depois de o PS “ter fechado a porta a uma solução de estabilidade”.

“Não atuamos por ressabiamento, não temos estados de alma, não ficamos zangados”, disse Catarina Martins, que teve a sua liderança renovada por mais dois anos e viu ser reforçada a oposição interna na Mesa Nacional.

No discurso de encerramento, Catarina Martins expôs o “caderno de encargos” para as negociações orçamentais para 2022, identificando o emprego como “a prioridade das prioridades” para sair da crise.

Para além da saúde e do emprego, a proteção social e o controlo financeiro “são agora ainda mais importantes depois do sofrimento com a pandemia social que se segue à pandemia viral”.

Na mesma linha, o dirigente Jorge Costa já tinha avisado que o Bloco de Esquerda não aceita que “um Governo minoritário do PS queira interditar à esquerda a negociação” e o eurodeputado José Gusmão disse que o BE quer ser “parte da solução” e que PCP e BE devem falar melhor entre si para “falar mais alto” com o Governo.

Para além da relação com o PS, na convenção também se ouviram críticas à direita, com Catarina Martins a acusar o PSD de Rui Rio de caminhar para “uma aliança com a extrema-direita” que, disse, é um “braço armado laranja que se destacou”.

Uma certeza Catarina Martins parece ter: “o Bloco é e será a barreira contra a direita e a extrema-direita”.

Sobre a ascensão da extrema-direita, o deputado José Manuel Pureza tinha lamentado que a “mentira” tenha passado a ocupar um lugar crucial na luta política, sendo uma arma poderosa da extrema-direita para “despertar ódios” e que o BE deve combater.

Fernando Rosas pediu atenção ao debate ideológico e à formação de quadros internos do partido: “Minimizar o combate das ideias ou afogá-lo na permanente urgência do imediato é correr o risco de nos desarmarmos, de insensivelmente nos transfigurarmos e de só dar por isso quando for tarde demais”, avisou.

O ex-deputado Pedro Soares e um dos subscritores da moção E, a mais crítica da atual liderança do Bloco de Esquerda, defendeu que o partido deve ir para as negociações com o PS demarcando “linhas vermelhas”, a principal das quais deve ser a revisão das leis laborais.

Nesta convenção, os críticos da linha política de Catarina Martins ganharam força na Mesa Nacional, obtendo 17 lugares em 80. A lista da coordenadora conseguiu 54 mandatos, o que significou uma perda de 16.

A moção E, promovida pelo movimento Convergência — já constituído depois da última reunião magna -, conseguiu 68 votos, alcançando 17 mandatos a este órgão máximo entre convenções.

O historiador Miguel Cardina, investigador do Centro de Estudos Sociais, o economista Alexandre Abreu, que concorreu às últimas europeias pelas listas do BE e será cabeça de lista à Assembleia Municipal de Cascais, e a ativista e estudante Andreia Galvão são algumas das caras novas que a moção A elegeu.

Já a moção E, promovida pelos críticos do movimento Convergência elegeu, entre outros, Ana Sofia Ligeiro e como número dois Mário Tomé, antigo deputado da UDP, um dos partidos que deram origem ao BE.

Na Convenção, que decorreu em Matosinhos, distrito do Porto, Mário Tomé criticou a “fulanização” no partido e vários delegados advertiram para a dificuldade de o BE ter implantação local, com Marisa Matias a assumir essa questão como o “calcanhar de Aquiles” do partido.

TVSH 2021

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