ESA reúne-se em Matosinhos para definir resposta a alterações climáticas e lixo espacial

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Matosinhos acolhe esta sexta-feira os 22 Estados-membros da Agência Espacial Europeia (ESA) com o intuito de criar e definir estratégias de resposta às alterações climáticas, às catástrofes naturais, mas também ao problema do lixo espacial. Da reunião sairá o “Manifesto de Matosinhos” que estabelece o mandato da agência.

Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, Portugal Space, em vésperas da Reunião Ministerial Intermédia da ESA, em Matosinhos, apresentou as prioridades identificadas em outubro por um grupo consultivo da agência espacial para acelerar o uso do espaço na Europa. Recomenda mesmo a construção de constelações de satélites baseados em tecnologias mais avançadas, como a tecnologia quântica.

A reunião é organizada por Portugalm, enquanto Estado que copreside (juntamente com França) ao Conselho Ministerial da ESA, órgão governativo da agência onde têm assento os ministros dos 22 países-membros que tutelam as atividades espaciais.

Desta reunião sairá o “Manifesto de Matosinhos”, uma declaração final que conferirá mandato à ESA para executar as decisões tomadas.

Na semana em que se tomou conhecimento de um teste antissatélite por parte da Rússia, criando uma núvem de destroços espaciais e consequentes riscos para as constelações de satélites e estações orbitais, o presidente da Portugal Space, que participará na reunião como chefe da delegação nacional, disse à agência Lusa que Portugal “está alinhado” com a ESA na necessidade da remoção do lixo espacial para garantir a segurança das comunicações por satélite, assim como na “monitorização da sustentabilidade da Terra”.

 

Portugal na mira de lançadores de micro satélites e limpeza automatizada

A reunião de Matosinhos servirá também para Portugal apresentar a sua determinação na estratégia para o espaço do lançamento, antes de 2025, de uma constelação de microssatélites de observação da Terra e a criação de uma plataforma com “dados de alta resolução” para fornecer informação útil para, por exemplo, a prevenção de fogos florestais e o mapeamento do território.

Uma demanda onde muitas empresas portuguesas estão envolvidas, naquela que será a primeira missão europeia de remoção de lixo espacial, prevista para 2025.

Segundo a Portugal Space, “todos os anos se dá a reentrada não controlada de aproximadamente 100 toneladas de detritos na atmosfera da Terra, uma situação que explica a urgência de desenvolver tecnologia e soluções que permitam a remoção controlada e segura dos detritos que a atividade humana deixou no espaço”

A agência espacial portuguesa adianta, no seu portal, que “mais de 750 mil objetos com um tamanho superior a um centímetro, todos eles potencialmente em fim de missão, orbitam a Terra, coexistindo com cerca de 4.500 satélites, dos quais apenas um terço se encontra ativo”.

A reunião de Matosinhos, que será presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, antecede o Conselho Ministerial de Paris, marcado para novembro do próximo ano.

O relatório do grupo consultivo da ESA para acelerar o uso do espaço na Europa recomenda, ainda, que sejam iniciados “os passos preparatórios” para uma missão de recolha e envio para a Terra de amostras da superfície gelada das luas dos planetas gasosos do Sistema Solar (sem especificar).

Considera também que a ESA deve estudar, com a participação da indústria do setor, a viabilidade de soluções de transporte espacial autónomo, atendendo às perspetivas da exploração de novos destinos no espaço e de viagens de turismo espacial.

 

Créditos: Lusa

 

TVSH 2021

 

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