Morreu Alfredo Quintana, guarda-redes de Andebol do FC Porto e da Seleção de Portugal

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O internacional português estava em coma induzido, em estado muito grave, depois de ter sofrido uma paragam cardiorrespiratória.

Morreu Alfredo Quintana, guarda-redes de Andebol do FC Porto e da Seleção de Portugal
Alfredo Quintana com as cores da seleção portuguesa de Andebol Ole Martin Wold / various sources / AFP

O FC Porto confirmou o que já se temia: Alfredo Quintana, guarda-redes de andebol dos azuis e brancos, faleceu esta sexta-feira, aos 32 anos, em consequência de uma paragem cardiorrespiratória sofrida na segunda-feira, durante um treino, informou o clube portuense. O internacional português estava internado  desde segunda-feira no Hospital de São João, em situação clínica estável, mas com prognóstico muito reservado.

O SAPO Desporto endereça as mais sentidas condolências à família e amigos de Alfredo Quintana, bem como ao FC Porto e à Federação de Andebol de Portugal.

As reações à morte de Alfredo Quintana

Foi o Hospital de São João quem comunicou ao FC Porto o falecimento do guarda-redes Alfredo, às 12h00 de hoje. O guarda-redes luso-cubano da equipa de andebol, de 32 anos, tinha sido internado na segunda-feira depois de ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória quando se preparava para iniciar um treino no Dragão Arena.

Quintana foi assistido no local do treino com o apoio de uma viatura do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e, posteriormente, transportado para o Hospital de São João, no Porto, onde ficou internado na unidade de cuidados intensivos, depois de ter sido estabilizado.

“Contando com diversos reconhecimentos individuais no palmarés, Quintana distinguia-se também pelas qualidades humanas, com destaque para a alegria com que contagiava todos os que acompanhavam o seu percurso. A perda tão dura e inesperada do Homem, mais ainda do que a do atleta, deixa enlutado o FC Porto, que transmite as mais sentidas condolências aos amigos e à família do Alfredo Quintana”, escreveu o FC Porto na sua página oficial.

Quintana foi descoberto pelo FC Porto durante o campeonato Pan-americano de 2010, no Chile. Estreou-se pelo FC Porto a 26 de março de 2011, numa receção ao Sporting da Horta. E em menos de dois meses , era campeão nacional pela quarta vez  ( já o tinha sido em três ocasiões em Cuba), a primeira em Portugal.

Durante 10 anos teve Hugo Laurentino como principal companheiro nas redes azuis e brancas e Ljubomir Obradovic e Magnus Andersson como treinadores. No FC Porto venceu nove troféus nacionais: seis campeonatos, uma taça, duas supertaças.

Foi distinguido com o Dragão de Ouro de Atleta de Alta Competição em 2014, o ano em que se naturalizou português e estreou pela seleção de Portugal, que representaria ao mais alto nível no Europeu de 2020 e no Mundial de 2021. Em 2009, tinha participado no Mundial de andebol ao serviço de Cuba.

Natural de Cuba, rapidamente Quintana se converteu num portuense, destaca o site do FC Porto

“Quando tinha saudades de Havana e do mar das Caraíbas, gostava de dar ‘um passeio até à Foz, para respirar as ondas’. E não escondia que apreciava francesinhas, como um bom tripeiro”, escreveu o FC Porto

Quintana: confirmou-se o pior

Segunda-feira, dia 22 de fevereiro. Alfredo Quintana, guardião luso-cubano de 32 anos sofria uma paragem cardiorrespiratória num treino. ‘Kingtana’, nome como era conhecido pelos companheiros. O rei das balizas de andebol, um dos melhores do mundo, que acabou traído pela ‘máquina’, o corpo humano.

De repente, um carreira de mais de uma década a defender os azuis e brancos começava a ser posta em causa, mas mais importante do que isso, a vida de um homem.

Quintana tinha assim pela frente o jogo mais importante da vida, depois de ser transportado pelo INEM para Unidade de Cuidados Intensivos do hospital de São João. Uma situação estável, mas grave foi o primeiro prognóstico que obrigou à indução do coma e oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), com o jogador a apresentar também um traumatismo cranioencefálico, previsivelmente na sequência da queda.

“O atleta de andebol Alfredo Quintana sofreu durante o treino de hoje uma paragem cardiorrespiratória, tendo sido prontamente assistido com o apoio de uma viatura do INEM. Depois de estabilizado, foi transportado para o Hospital de São João, onde se encontra internado. O FC Porto atualizará a situação clínica do atleta assim que houver novidades”, começou por anunciar o emblema portista na tarde desse dia.

A imprevisibilidade da situação chocou até os mais próximos, mesmo o que o acompanhavam de perto clinicamente. “totalmente inesperado, é um atleta sempre com valores ótimos em todas as suas prestações físicas e muito completo”, reagia desta forma Augusto Roxo, médico da seleção nacional de Andebol, em declarações ao jornal “O Jogo”.

Entre os colegas também causou espanto e dor o que aconteceu ao colega de equipa. “Ainda não caí em mim. Muita força, grande King ”, escrevia o companheiro de equipa Miguel Martins. No domingo, o guardião tinha sido titular na vitória dos Dragões frente ao Águas Santas, onde até apontou dois golos. A cabeça do luso-cubano estava já na Champions, na partida frente ao Meshkov Brest da Bielorrússia. Nada fazia prever este desfecho. Mas a vida é assim, por vezes vai-se num fio, de mansinho, sem aviso.

Sem sinal de recuperação, as últimas informações clínicas já faziam prever o pior. Fonte hospitalar do Hospital de São João garantia esta quinta-feira que a situação do guardião “muito grave” e com “prognóstico muito reservado”. Na quarta-feira, a Federação Cubana enviava uma mensagem de condolências à família de Quintana. A Federação de Andebol de Portugal reagiu com prontidão e emitiu um desmentido a “pedir respeito pela família de Alfredo Quintana.”

FC Porto desmente clube bielorrusso e continua na Liga dos Campeões

A notícia começou por surgir na manhã de quinta-feira. O Meshkov Brest, adversário do FC Porto na Liga dos Campeões de Andebol, anunciava através de comunicado no site oficial que os ‘dragões’ desistiam da prova.

Contudo, essa informação acabou por ser desmentida por fonte do FC Porto como confirmou o SAPO Desporto. O FC Porto explicou que pediu apenas o adiamento da partida e não a desistência da prova.

O FC Porto tem ainda três jogos por disputar na fase de grupos da Liga dos Campeões de Andebol. Para além do Meshkov Brest vai ainda medir forças com o Elverum, da Noruega, e com o Flensburg-Handewitt, da Alemanha. Os dragões ocupam o sexto posto do Grupo A, com três vitórias, dois empates e seis derrotas ao fim de onze jogos.

A onda de solidariedade que fez com que esquecessem rivalidades

O estado de saúde de Alfredo Quintana gerou uma onda de solidariedade e de apoio entre a comunidade desportiva, em particular do andebol, tendo as equipas do Sporting e Benfica envergado camisolas nos últimos jogos com o nome do luso-cubano. O FC Porto e Sérgio Conceição começaram por lhe dedicar a vitória frente ao Marítimo, por 2-1, em jogo da 20.ª jornada da I Liga.

“Queria mandar um abraço à família do Quintana. Dizer que todos somos poucos para rezar por ele e pedir a Deus que tudo corra pelo melhor. Um abraço para a família dele”, disse o treinador da equipa de futebol do FC Porto, à Sport TV, após a vitória na Madeira sobre o Marítimo por 2-1.

Também num treino o plantel azul e branco voltou a prestar uma homenagem ao guardião durante a sessão de treino no Olival. Nas redes sociais, o FC Porto publicou na quarta-feira uma fotografia da equipa principal com uma camisola do guarda-redes de andebol e na legenda podia ler-se “Juntos pela família de Quintana”.

É nos momentos de aperto e de dor que se esquecem as rivalidades. E o desporto em Portugal uniu-se em torno da esperança.

Na terça-feira, as equipa de andebol do Benfica e Sporting entraram em campo com o nome de Quintana na camisola.

Os ‘encarnados’, que defrontaram na Póvoa, entraram em campo com o nome de Quintana nas costas das camisolas de todos os jogadores da equipa. O Benfica tinha ainda uma camisola com uma mensagem de apoio ao guarda-redes do FC Porto: “Todos a torcer por ti. Força Quintana!”.

Já os ‘leões’, que defrontaram os suecos do Kristianstad, em jogo da Liga Europeia, também entraram em campo com camisolas brancas com o nome de Quintana e o número um.

As origens e a carreira de Quintana

Nasceu em Havana, em Cuba e haveria de aterrar em Portugal em 2010 para representar o FC Porto. Há já 11 temporadas que envergava as cores dos azuis e brancos. Os convites para jogar no estrangeiro surgiam todos os anos, mas o amor aos dragões e a Portugal fizeram com que  resistisse à tentação dos grandes campeonatos. Findo o processo de naturalização, Quintana passou também a representar a seleção nacional em 2014, tendo marcado presença recentemente no Europeu de 2020 e no Campeonato do Mundo. Foi sempre um um dos jogadores indiscutíveis do selecionador Paulo Jorge Pereira, tendo ajudado a levar a equipa de Portugal ao sexto lugar do Europeu de 2020 e ao 10.º lugar do Mundial de 2021. Recebeu o Dragão de Ouro de Atleta de Alta Competição e somou 72 jogos pela seleção das quinas. Constituiu família no país e tem uma filha de 1 ano, Alícia.

De trato afável e sorriso fácil, estava completamente adaptado à cidade do Porto onde vivia, tendo-se mudado para Vila Nova de Gaia aquando do nascimento da filha. Apesar das origens cubanas fazia questões de se fazer ouvir num português de ótima pronúncia. Tinha contrato até 2023, percurso que é agora interrompido pela fatalidade do destino.

Paralelismos com a situação de Casillas

Também no FC Porto e bem recentemente Iker Casillas sofreu uma enfarte do miocárdio e foi hospitalizado. Apesar da situação ter sido considerada grave, o guardião recuperou mas acabou por ter que pendurar as luvas aos 37 anos encerrando assim uma carreira coroada de títulos.

A carreira de Quintana em imagens

 

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