Taça de Portugal, a serenata dos surdos

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A Taça de Portugal foi instituída em 1938/39, a Académica foi o primeiro clube a conquistar o nobre troféu, que desde então vem alimentando o sonho de muitos clubes portugueses, que fantasiam chegar à grande final. A magia do torneio sempre consistiu na liberdade dos clubes pequenos poderem defrontar os grandes e na partilha de realidades diferentes disputada com igualdade dentro do terreno de jogo.

Por isso, se continua a dizer que na festa da Taça não há favoritos, quebram-se as submissões mentais que separam os clubes por diferentes ligas e orçamentos.

Taça é Taça, e neste dia até os clubes poderosos vacilam, o sorteio pode ditar-lhes uma visita ao terreno ardiloso do adversário de segunda ou terceira categoria, os pequenos transcendem-se e muitas vezes tocam em campo autênticas sinfonias de “Mozart” que baralham as grandes orquestras e maestros.

Para os romanos, a tentativa de invadir as muralhas gaulesas trazia consigo incómodo e desconforto, pois nunca sabiam quando iriam ser recebidos por Obélix e Astérix, os irredutíveis gauleses. O mesmo sucede com o clube grande quando visita o pequeno, se nesse dia a força da dupla estiver lá, vamos assistir à queda iminente de mais um gigante.

Contudo, quis o oráculo prever outras formas de evitar tragédias ao Império Romano, criando novas diretrizes que afastam os clubes pequenos dos seus territórios.

A sentença mais recente descreve claramente o ludíbrio e disfarce que o “Oráculo” utiliza para desviar e enfraquecer os pequenos e justos merecedores desta competição. É no mínimo escandaloso e de critério excessivo a forma como afastaram do Leça FC a possibilidade de poder defrontar o Sporting no seu estádio.

Analisando este engodo, o jogo foi considerado de alto risco por parte das autoridades policiais que se aliou ao APCVD para fortalecer a tese. A iluminação gigantesca do estádio do Leça foi também alvo do desvaneio destes “fiteiros”, que alegaram falta de condições de iluminação para a transmissão do jogo.

Se já não bastasse tal “caramboleirada”, ainda se alega que o sistema de controlo de bilhetes do estádio não é moderno e com isto desviaram o Leça FC para a Capital do Móvel.

Posto isto, relembro que o Leça FC, no decorrer da prova, defrontou o Gil Vicente e o Arouca no seu estádio, venceu e provou a sua soberania.

Para os de memória mais curta, temos o exemplo do recente Leça-Leixões, onde se disputou a ,2ª eliminatória da Taça de Portugal na época 2018-19 – esse sim, poderia ter sido considerado jogo de alto risco, tendo em conta a rivalidade entre os dois emblemas, mas o estádio esteve cheio, a iluminação perfeita e assistiu-se à verdadeira festa do futebol.

Trampolineiros astuciosos continuam a envergonhar o futebol em Portugal com este tipo de serenatas para surdos.

Positivo

Mesmo contra tamanha adversidade, espera-se que a unidade leceira consiga fazer da dificuldade extrema uma força imparável uma vez mais , tendo a consciência de que seria sempre diferente se o jogo fosse no seu estádio. Talvez estejam por lá o Astérix e Obélix nesse dia.

Negativo

“Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la”, diz Cícero. As palavras começam a faltar para descrever imposturices desta envergadura. O futebol perde, a vergonha alastra e a festa perde calor. Tenham vergonha…

*Treinador

 

A partir de opinião: Vasco Oliveira

 

TVSH 2022

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